Radar Pepijus
Opinião
COMO SÃO BELAS AS J0IAS DA COROA !

DESDE que eu era menininho e ia visitar meu avô materno lá no sítio em Quintana, sempre arregalava os olhos e ficava atento ouvindo as histórias que ele me contava - era baiano e foi-se faz mais de 50 aos 95 anos sem doença alguma(senilidade)pitando um cigarro de palha - até hoje recordo do perfume do tabaco e da fumaça subindo na queima da palha do milho. Política, menino, neste país, sempre foi meio de vida ! Ficava encafifado com tanta convicção que tinha. Fitava os olhos nas mãos calejadas convicto de que nunca jamais num lápis elas triscado tinham. Aquela frase volta e meia me sacode retumbando os tímpanos que teimam não ensurdecer de vez. Sempre queria crer que ele triste sem letra sofrido sem luz sem dinheiro sem nada estivesse equivocado, descoberto da razão. Queria, mas parece que não estava não. Certa feita, coisa de dois ou três anos, parei para um gole de conhaque num boteco de beira de estrada em Jerumenha, cidadezinha histórica do sul do meu Piauí e em meio a uma dose e outra um sujeito de pernas meio tortas que me acompanhava nos tragos até que a jardineira partisse rumo a Bertolínia acabou de me convencer da certeza do meu avô Gabriel. Arrematava dizendo sem tremer o bigode que se a coisa é pública é sinal de que não tem dono. Qualquer um mais esperto pode logo levar antes que outro o faça em seu lugar. Quatro anos talvez mais quatro passam voando ligeiro. A fome é grande. Esconda o queijo bem no fundo da prateleira e arme a ratoeira. Os bichinhos veem babando, companheiro ! Aqui nunca foi terra de ladrão ! A culpa, talvez, mesmo, é do alcatrão !
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